Nem a chuva intensa nem o frio que se fizeram sentir no passado dia 20 de janeiro, terça-feira, demoveram os milhares de devotos a São Sebastião que se deslocaram até Vila Grande, freguesia de Dornelas, para participarem na festa em honra de S. Sebastião, numa manifestação religiosa com um cariz também popular, profundamente enraizada nas gentes de Boticas.
A “Mesinha de S. Sebastião” ou “Festa das Papas”, como também é apelidada, contou com milhares de pessoas, que encheram as ruas da aldeia e acompanharam esta manifestação em devoção a S. Sebastião, naquela que é uma das celebrações mais antigas e emblemáticas do concelho de Boticas.
Segundo reza a lenda, esta festa religiosa remonta até à época das invasões francesas, altura em que os habitantes da aldeia de Vila Grande prometeram a São Sebastião, padroeiro da guerra, fome e peste, em troca da sua proteção divina, oferecer comida a todos aqueles que passassem pela aldeia, no dia 20 do primeiro mês do ano.
Este ano, a tradição voltou a cumprir-se, sendo distribuídos pela extensa mesa improvisada, colocada ao longo de uma das ruas da aldeia, mais de mil broas de pão caseiro, 150 kg de arroz e 600 kg de carne de porco cozidas em potes de ferro ao lume.
Como habitualmente, as festividades tiveram início com a eucaristia solene, em homenagem e agradecimento ao santo, celebrada pelo pároco, António Guerreiro, coadjuvado pelo Padre Domingos Teixeira dos Santos, seguindo-se depois a tradicional procissão e a habitual bênção dos alimentos oferecidos aos habitantes e todos os visitantes antes de irem para a mesa.
O Presidente da Câmara Municipal de Boticas, Guilherme Pires, juntamente com o Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, associaram-se às celebrações, acompanhados pelo vereador, Paulo Miguel Pereira, e pela presidente da Junta de Freguesia de Vila Grande, Magda Barroso.
Assim se manteve vivo o espírito comunitário que tão bem caracteriza esta celebração, símbolo da ligação profunda entre fé, tradição e identidade cultural do Concelho de Boticas.